CIRCULANDO

O coração do Oceano: a gigante chamada São Marcos

Publicado por Ana Carolina Jaen em 08/04/2012 às 20h30

Não raro, as grandes histórias, sejam fictícias ou reais, carregam consigo uma jóia: a história da Universidade São Marcos não é diferente. Comparo nossa Universidade com o colossal navio Titanic que, para sua época, era a obra de maior grandeza da arquitetura naval, sendo visto e dito como inquebrantável, indestrutível, um gigante. Entretanto, eis que diante do imperecível surgiu a surpresa: um Iceberg. A vida, com suas peripécias, distribui Icebergs ao longo dos caminhos e nos convida a encontrá-los ou desviarmos deles, conforme a contingência. Para o Titanic, esse encontro foi desastroso: uma rachadura em seu casco, em sua base, fez desmanchar o ideal de inúmeras pessoas e, mais que isso, levou consigo muitas vidas, aquelas que não conseguiram se desprender do sonho a tempo. Há os que saltaram do navio logo aos primeiros indícios, houve aqueles que lutaram até o momento em que foi questão de vida ou morte. Mas também houve os músicos, os artistas, que diante de toda desgraça escolheram tocar a derradeira melodia, apesar do risco, até o fim. Sabemos qual foi o fim trágico deste navio, mas talvez saibamos melhor o que dele restou em nossas memórias: sua beleza, sua riqueza, os encontros, os bailes, as aventuras, a esperança, o orgulho, o desafio, a conquista, entre tantas outras pérolas que, embora no fundo do mar, permanecem perenes. As pérolas são as experiências vividas, os bons encontros, as construções, as descobertas, as vitórias, o próprio caminho da vida em si. Foi na Universidade São Marcos que eu, por exemplo, tive a oportunidade de iniciar o trajeto de minha profissão. Minha história com a São Marcos iniciou-se quando, vinda de uma temporada no interior paulista, encantei-me com seus jardins e prédios antigos, com o acalanto da natureza e a imponência da tradição. Ali fiz amigos, descobri paixões, encontrei amores. Tive a oportunidade de ver meu caminho cruzado por professores que, antes das lições de Psicologia, me ensinaram lições de vida, de generosidade. Foi na São Marcos, ainda como aluna, que ingressei na carreira acadêmica: lá, escrevi meus primeiros trabalhos acadêmicos, publiquei meus primeiros artigos, lecionei a primeira aula de muitas que vieram depois, inclusive em outros lugares; entrei uma menina, me fiz psicóloga, psicanalista, me forjei professora. Como docente, tive o privilégio de tomar meus alunos como os pares mais importantes de minha jornada: aprendi o valor da interlocução, a importância do querer saber, o alcance da transmissão do desejo. Foi pelo trabalho de anos na Universidade São Marcos que vi nascer minha questão de pesquisa para o Mestrado e foi lá que pude me valer do que descobri pesquisando. Hoje quando clinico, seja no hospital, no ambulatório ou no consultório, penso que foi na São Marcos que dei meus primeiros passos na clínica, segurando a mão dos colegas, professores e funcionários da instituição. Posso dizer que testemunhei os tempos áureos da universidade: a efervescência da produção acadêmica do mestrado e dos cursos de pós-graduação, a revistas científicas Psiquê e Interações, qualis A no CAPES, os movimentos estudantis defendendo suas ideias teóricas, seus ideais de sociedade, os alunos sedentos por conhecimento e certos de que estavam numa das melhores Universidades de São Paulo, quiçá do Brasil. Mas também testemunhei muitas coisas tristes: vi professores muito queridos indo embora e partindo o coração da gente, não que o fizessem deliberadamente, mas porque já não havia mais como continuarem; vi muita corrupção, vi muita gente boa passar necessidade porque aquele trabalho era tudo que tinha, vi muito aluno se desesperar com medo de perder o investimento que custa muito sacrifício, vi muita tristeza. Agora, penso naqueles que ainda estão por aqui, como eu, testemunhando esse último suspiro. Para mim, intimamente, fica a metáfora do navio Titanic: na ficção contada pelas telas do cinema, sua jóia maior chamava-se “o coração do Oceano”, artefato que deu sentido à trama daquele romance. Nesse momento, convido todos àqueles que fazem parte desta nau como eu a buscarem o “coração do Oceano” e quem sabe, com a esperança de que a vida é soberana, possamos passar pelo naufrágio carregando em nossos bolsos a jóia maior: o percurso de cada um, aquilo que nos pertence exclusivamente e a mais ninguém. É o que levarei dessa gigante: a São Marcos fecha, mas a jóia permanece em meu bolso. 

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A arte nos mostra

Publicado por FabioLSaad em 18/02/2012 às 11h16

Dos imperativos que buscamos, para alguns, a arte. Deparei-me com uma rara oportunidade, em solo nosso, de vislumbrar duas obras que me tocaram distintamente, sobretudo, me emocionaram profundamente: falo dos painéis Guerra e Paz de Portinari. Poderia pensar essas duas obras como antagonistas, claramente uma representa a esperança, a paz, a união, a vida; já a outra, os horrores da guerra, a desesperança, a própria morte. Antagonistas no sentido que a guerra deveria sucumbir à paz afastando os horrores de nossas vidas. Contudo, um não anda sem o Outro.

Sendo o artista um baluarte de seu tempo, representa em sua obra o "a posteriori", a destruição do homem. Essa é a importância da obra de Portinari, a tentativa "a priori" de evitar o que já sabemos. Onde estão as feras? Como lidar com nossos fantasmas sem precisar destruir o outro? A arte nos mostra que isso é possível na mão do pintor. Existem outras saídas, a própria psicanálise ocupa importante estatuto de tentar encontrar saídas criativas e possíveis para as feras que nos habitam. Para todos? Ah!!! Isso, nem o artista pode responder...

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Boas Festas

Publicado por Grupo de Atenção ao Sujeito em 24/12/2011 às 08h48

Desejamos a todos um ótimo Natal, cheio de realizações. Que venha 2012, cheio de significados, cheio de mistérios... que possamos atravessá-lo de maneira tranquila e feliz. Que nossos votos se estendem para agradecimentos a todos que fizeram parte de nossos projetos. Que possamos estar cada vez mais juntos. Forte abraço do GAS.

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O dia da conversação

Publicado por Grupo de Atenção ao Sujeito em 11/12/2011 às 16h20

Ontem realizamos nossa Conversação: momento estratégico de conclusão de ano, de fechamento, balanço, festas e renovações, gostinho de final de ano.

Entretanto, nossa Conversação ocorreu também na perspectiva oposta; a perspectiva de abertura! Começamos nosso trabalho e com ele o desejo de ampliá-lo, continuar pesquisando.

Nossa Conversação pôde abranger, por meio da apresentação dos trabalhos, temas importantes como o desejo do analista, a clínica com crianças, os ensinamentos de uma paciente psicótica e a importância do trabalho em equipe para os que trabalham com a “loucura”.

Contamos ainda com a participação de um público atento, que participou de forma construtiva, contribuindo com perguntas, pontuações e, sobretudo, com o carinho e com as inquietações que nos convocam a continuar a fazer circular a palavra.

Obrigado a todos os participantes e até a próxima! Lembrando que a palavra continua viva em nossas discussões!

Portanto, escrevam, comentem, acrescentem, continuem participando de nossa construção!

 

“A palavra não tem nunca um único sentido, o termo, um único emprego. Toda palavra tem  sempre um mais-além, sustenta muitas funções, envolve muitos sentidos. Atrás do que diz um discurso, há o que ele quer dizer, e, atrás do que quer dizer, há ainda um outro querer-dizer, e nada será nunca esgotado - se não é que se chega ao fato de que a palavra tem função criadora e faz surgir a coisa mesma, que não é nada senão o conceito.” Jacques Lacan (1953-1954, p. 275)

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Inventar-se psicanalista: uma construção singular

Publicado por Grupo de Atenção ao Sujeito em 09/12/2011 às 06h11

É amanhã!!! Importante encontro em que discutiremos o lugar do analista, sua atuação em vários equipamentos de saúde, as criações, invenções singulares e suas possibilidades. Contamos com sua presença. Faça sua inscrição. Até amanhã..

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Esta semana...

Publicado por Grupo de Atenção ao Sujeito em 05/12/2011 às 08h02

Vc já fez sua inscrição? Não perca tempo!! Aproveite, faça agora e participe desse encontro.. nossa conversação.

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Desejo do Analista

Publicado por Felipe Loberto Silva em 30/11/2011 às 06h29

Faltam dez dias para nossa Conversação! Em uma das partes deste bate papo (a que me cabe) falaremos do DESEJO DO ANALISTA, ou seja, do desejo que me moveu e me move - daí minha escolha em falar disso - da busca de um lugar: o lugar do analista. E é nesse movimento que percebi que este lugar não é pronto ou passível de ser encontrado, mas sim construído. É sobre essa construção singular que vamos conversar. Uma construção que tem um começo, um meio (é nessa parte que me encontro), mas será que tem um fim?

Espero vocês lá para construirmos juntos mais lugares onde nos sabemos analistas, lugares de construção. Inscrevam-se! 

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Preparatórias para Conversação

Publicado por Ana Carolina Jaen em 20/11/2011 às 11h33

Está chegando a data de nossa CONVERSAÇÃO!!!!! Escrevo para lembrar a todos da importância de realizarem a inscrição: as vagas são LIMITADAS pela própria natureza da atividade, ou seja, uma tarde de conversa sobre os desafios de praticar a psicanálise, tanto no dia a dia do consultório quanto nos equipamentos de saúde. Além disso, o tom desse bate-papo é contar como cada um de nós estamos nos fazendo psicanalistas. Afinal, essa é uma CONSTRUÇÃO SINGULAR! Bem vindos!

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O olhar: A pele que habito

Publicado por FabioLSaad em 15/11/2011 às 17h52

O corpo para a psicanálise ocupa importante estatuto, desde as primeiras publicações de Freud, passando pelas fases auto-eróticas, pelos fenômenos elementares, entre outros; saídas singulares para o destino das pulsões, ora endereçadas ao outro, ora voltadas para si mesmo.

Almodóvar lança o filme: “A Pele que habito”, construção primorosa para um título que transmite a noção de corpo nos remetendo a algo que constitui para além do contorno que dá vistas ao que somos. Faz da pele seu foco principal como o alvo desmedido de seu protagonista, encarnado por Antonio Bandeiras.

O olhar está presente como pulsão fazendo com que a personagem principal tome o outro como seu objeto para a fabricação da coisa perfeita. O encontro entre os dois personagens amarra a trama, não sem conseqüências, um encontra a saída no outro, o outro na coisa. Como resultado disso...  ver aquilo que se veste como a pele, como um hábito, como um “Vês-tido”. 

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Uma Visita ao MASP

Publicado por Ana Carolina Jaen em 11/11/2011 às 21h11

Quando trabalhamos em um hospital, muitas vezes somos convidados a pensar uma prática extramuros: para além da especialidade, mas também para além dos limites espaciais da instituição. Apoiados nesse convite criamos o Atelier de Linguagem e Cotidiano (HSPM - SP), parceria entre a Psicologia e a Terapia Ocupacional (TO), oficina que possibilita visita à lugares de cultura da cidade (museus, teatros, parques, entre outros) acreditando que a experiência, para além do hospital, pode ser terapêutica. A proposta é pensada sob dois ângulos que dialogam: do ponto de vista da TO, facilitar o treino de habilidades sociais que permeiam o dia a dia e favorecem a autonomia dos sujeitos, por exemplo, como faço e do quê preciso para realizar determinada tarefa. Do ponto de vista da Psicologia apoiada na Psicanálise, visamos apreender o quê determinada experiência social desperta do repertório de linguagem de cada um, de sentido, de lembranças, de reflexões, de reposicionamento. Essa semana, o Atelier visitou o acervo permanente do Masp, que organizou as obras por temas bastante interessantes, como por exemplo, "ver e ser visto" ,  "deuses e madonas", entre outros. Vale a pena conferir. Com esse trabalho, almejamos por meio das ferramentas de cultura extrapolar o território de tratamento, fazendo da cidade um lugar para a construção singular.

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