CIRCULANDO

A homo afetividade e a sociedade: a quantas anda esse diálogo?

Publicado em 12/07/2014 às 16h13

O modo pelo qual a sociedade se articula e vem se comunicando acerca da questão da homo afetividade tem sido tema de constantes reflexões para mim.

Por sinal, prefiro o termo homo afetividade à homossexualidade, pois a palavra afeto, bem como sua derivada, afetividade, por si só, não faz referência a nenhuma orientação sexual, ou de gênero e a nenhum juízo de valor à priori. Afeto é simplesmente afeto, sentimento, ou “disposição da alma” (como bem descreve o dicionário, LAROUSSE 1).

Com frequência, sabemos através da mídia, a respeito de acontecimentos, alguns deles benéficos, outros nem tanto, em relação a questões que envolvem o tema da homo afetividade. Digno de nota foram as recentes declarações da igreja católica. No ano passado, quando veio ao Brasil para o encontro mundial da juventude, o Papa Francisco disse não estar em posição de julgar os homo afetivos que buscam Deus.  

 Em sintonia com a recente declaração do Papa, em Junho deste ano, o Vaticano publicou um documento que será apresentado em uma reunião de bispos em Outubro cujo tema é a família. Neste documento, há um notável vislumbre de uma possível mudança de postura da igreja católica em relação ao modo como a igreja e seus representantes devem procurar lidar com os fiéis homo afetivos daqui em diante, a saber, com maior respeito, cuidado e sem juízos de valores. Interessante saber que esse documento foi resultante de uma pesquisa realizada em dioceses de todo o mundo.

A igreja católica pode ainda não ter tido uma real mudança de postura em relação a polêmicas, como o casamento homo afetivo e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, porém, tem se pronunciado acerca desses temas com mais frequência e maior naturalidade o que, a meu ver, promove o debate social, pois faz esses assuntos circularem, as pessoas se questionarem e, quem sabe, ficarem menos alheias e preconceituosas.

Um outro fato interessante a que tive acesso, e que, do meu ponto de vista, tem contribuído para promover o debate e a dissolução das ideias pré-concebidas em relação a homo afetividade, são alguns vídeos que têm circulado amplamente nas redes sociais, cuja a proposta é registrar as reações de crianças e jovens ao saberem da existência de relacionamentos e casamentos homo afetivos.

Em um desses vídeos, é dito a um menino que existem homens que se casam com homens. Já em outro vídeo, crianças e adolescentes assistem a vídeos nos quais há propostas de casamentos homo afetivos: uma mulher pede a companheira em casamento ou um homem faz a proposta a seu companheiro. A reação e a fala das crianças são registradas.

Ao assistirmos aos vídeos é possível refletir sobre as gerações mais jovens que, em geral, parecem expressar bem menos juízo de valor às gerações mais velhas. Veem e sentem a existência da homo afetividade com maior espontaneidade e convivem com essa realidade com maior naturalidade. Penso que isso pode já ser resultado de uma abertura e uma maior flexibilização, sensibilidade e mobilização social para a questão.

A sexualidade no sentido afetivo da palavra, ou, como bem nos ensina Freud, em seu sentido “libidinal”, ou de força vital, permeia todas as relações, perpassa todos os vínculos e guia as ações humanas, sejam elas conscientes ou inconscientes. Portanto, a homo afetividade é um assunto concernente à vida e a todos nós e, sem dúvida, é de interesse social.

No meu entender, o preconceito, não é dado, não nasce com os afetos e sim, é aprendido. O masculino e o feminino não são puramente definidos somente pelas características biológicas e nem tão pouco apenas pelos hormônios.

O que concerne ao universo feminino e ao universo masculino é aprendido, pertence ao simbólico e, portanto, ao universo da linguagem, do que é ensinado, transmitido consciente e inconscientemente pelas gerações, a família, a escola, a cultura, enfim, a sociedade na qual o sujeito está inserido. O aprendizado do que é certo, errado, melhor, pior, bonito, feio, o que é de menino, o que é de menina, o que é ser homem, o que é ser mulher está imerso na cultura.

Sendo assim, essas são questões fundamentais para continuarmos analisando, apreciando e formando nossas opiniões. Os fenômenos sociais acontecem todos os dias, diante de nossos olhos e se entrecruzam, “conversam” com nosso cotidiano, com cada um de nós, seja enquanto cidadãos, profissionais, pertencentes a essa sociedade e realidade ou a determinada religião e família, seja em relação a nós mesmos, à própria sexualidade e às reações que temos diante da expressão da sexualidade das pessoas com as quais convivemos.

 

Por: Júlia Maria Candiani Rolim Loureiro Ribeiro

Psicóloga associada ao Grupo de Atenção ao Sujeito

Trabalha no Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM)

 

 Referências

1 Minidicionário LAROUSSE da língua portuguesa. 3ª edição

 Link de referência Web Site, Globo, sobre o documento do Vaticano.

 http://oglobo.globo.com/sociedade/gays-seus-filhos-nao-deveriam-sofrer-discriminacao-da-igreja-diz-vaticano-13039080#ixzz35zL7CYwb

Vídeos referidos no texto:

http://www.youtube.com/watch?v=SQnbvkjw8Uk

http://www.youtube.com/watch?v=-9msJmUGQws

 

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A Luta Antimanicomial e a busca de seus Sujeitos

Publicado em 10/06/2014 às 22h06

A Luta Antimanicomial tem em sua origem um caráter político e social de melhorias no tratamento de pacientes psiquiátricos e de luta pela democratização do Estado. Foi um momento histórico de muita mobilização social frente as condições insatisfatórias da gestão do Estado.

Em um viés mais micropolítico, de quem está no dia a dia com esses sujeitos, penso que um dos maiores desafios é compreender e respeitar a “lógica” desses sujeitos e, junto com eles, construir saídas satisfatórias e prazerosas de se viver.

É fato que muitas coisas mudaram desde o início da Reforma Psiquiátrica, já existe uma política que garante os direitos desse sujeito (por exemplo a Lei Federal nº 10.216, conhecida como lei da Reforma Psiquiátrica) e uma metodologia que considera e coloca o sujeito e seu sofrimento psíquico como protagonista da intervenção (como a Clínica Ampliada). Contudo, a “lógica” de difícil compreensão é com relação aos desejos e escolhas desses sujeitos: que desejos eles têm? Emprestamos os nossos a eles até quando? Que crítica têm sobre suas escolhas e como podemos legitimá-las? Como eles podem se apoderar delas e se tornar um cidadão?

Essas são algumas perguntas frequentes quando se trabalha com esses tipos de sujeitos. Outras, quando consideramos que além de trabalhar, vivemos com esses sujeitos, podem ser: o que eles têm a nos ensinar? Qual é o meu lado “desconhecido” e como lido com ele? Como consigo criar e transformar a minha vida, muitas vezes acomodada? Pois é, esse “confronto de lógicas” pode ser muito enriquecedor… para ambas as partes..

No último dia 18 de maio, dia Nacional da Luta Antimanicomial, relembramos e damos continuidade a toda transformação conquistada pelos novos modelos de prática e atenção à saúde. Hoje em dia as necessidades mudaram e alguns dos objetivos desta movimentação social são: a luta por implementação de políticas não segregacionistas (como está sendo pensado as Comunidades Terapêuticas financiadas pelo Estado?), o financiamento de projetos solidários, a permeabilidade da sociedade frente a diversidade (a transformação do imaginário social da loucura), como construir a Rede de Atenção Psicossocial, como fazer acontecer a Reabilitação psicossocial. Enfim, as necessidades se voltam para a construção de um projeto civilizatório, em que esses sujeitos possam ser reconhecidos (e se reconhecer) como Sujeitos portadores de direitos e deveres.

 

 

 

A seguir, alguns dados históricos da origem da Reforma Psiquiátrica e a busca de substituição do modelo hospitalocêntrico de atenção à saúde:

- 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986- um dos principais marcos da universalização da saúde do Brasil. As propostas surgidas ali, tanto legitimaram a Reforma Sanitária (com a promulgação da Constituição Federal de 1988), quanto foram substanciais para a criação do SUS;

- I e II  Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental (MTSM), em 1987- nestes congressos é construído o lema por uma sociedade sem manicômios e surgimento de novas modalidade de atenção (CAPS);

- É criado o Projeto de Lei 3.657/89, conhecido como Lei Paulo Delgado, em 1989- esta lei determina o fim da oferta de leitos manicomiais com dinheiro público, redireciona os investimentos para outros dispositivos assistenciais e torna obrigatória a comunicação oficial de internações feitas contra a vontade do paciente;

- Conferência ‘Reestruturación de la Atención Psiquiátrica en la Región, promovida pelas Organizações Panamericana e Mundial de Saúde (OPS/OMS), em Caracas 1990- ponto principal de discussão: superação dos velhos modelos psiquiátricos;

- Lei Federal nº 10.216 de 2001)- esta lei redireciona a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária e dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais. Junto com  III Conferência Nacional de Saúde Mental, no segundo semestre de 2001, alinha as diretrizes da Reforma Psiquiátrica com a política de saúde mental do governo federal, passa a consolidar-se, ganhando maior sustentação e visibilidade.

 

Por: Paula Pimenta

Psicóloga associada ao Grupo de Atenção ao Sujeito

Trabalha no CAPS III Paraisópolis

 

Bibliografia:

Campos, Gastão W.S.;1996/1997. A Clínica do Sujeito: Por uma Clínica  Reformulada e Ampliada. http://www.pucsp.br/prosaude/downloads/bibliografia/CLINICAampliada.pdf

Reforma Psiquiátrica e política de Saúde Mental no Brasil. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/Relatorio15_anos_Caracas.pdf

http://saudeecosol.org/mais-de-2000-pessoas-marcharam-nas-ruas-de-sao-paulo-no-ato-da-luta-antimanicomial/

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Vitamina D e Depressão

Publicado em 19/05/2014 às 21h58

               

 

              A deficiência de vitamina D é um problema de saúde global que atinge cerca de 1 bilhão de pessoas1. Evidências epidemiológicas apontam um aumento de 8 a 14% nas taxas de depressão em pacientes esta deficiência2.

                   Até recentemente havia muita controvérsia sobre o tema, com estudos demonstrando resultados antagônicos. Porém em Abril de 2014, Simon Speedding realizou uma meta análise sobre o tema.

         Neste trabalho foram encontradas falhas biológicas em estudos que apontavam resultados negativos para a suplementação de Vitamina D. Com estes estudos excluídos, houve efeitos terapêuticos da suplementação de vitamina D em pacientes com depressão3.

               Estudos vem apontando a Vitamina D como parte importante para a saúde do cérebro, apresentando evidências recentes de funções neuroprotetoras da Vitamina D, através de vias antioxidantes4 e proteção contra os efeitos deletérios dos níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias observados no cérebro durante quadros depressivos5.

 

Por:   Dr.  Anderson Sousa Martins da Silva

         Psiquiatra associado ao Grupo de Atenção ao Sujeito

 

1. Hollick, M.F. Vitamin D deficiency. N. Engl. J. Med. 2007: 357; 266–281.

2. Kjærgaard, M.; Joakimsen, R.; Jorde, R. Low serum 25-hydroxyVitamin D levels are associated 
with depression in an adult Norwegian population. Psychiatry Res. 2011: 190; 221–225.

3.  Spedding, S. Vitamin D and Depression: A Systematic Review and Meta-Analysis Comparing Studies with and without Biological Flaws. Nutrients 2014:6; 1501-1518.

4. Cass WA, Smith MP, Peters LE. Calcitriol protects against the dopamine- and serotonin-depleting effects of neurotoxic doses of methamphetamine. Ann N Y Acad Sci. 2006;1074:261-271.

5. Song C, Wang H. Cytokines mediated inflammation and decreased neu- rogenesis in animal models of depression. Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry. 2011;35(3):760-768.

 

 

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Uma Questão de Saúde Pública

Publicado em 21/04/2014 às 10h42

O PSICANALISTA NA SAÚDE PÚBLICA: Manejos Coletivos para Saídas Singulares.

 

Nesta edição, contamos com a colaboração dos psicanalistas FabioLSaad, Julia M. C. R. L. Ribeiro e Ana Carolina S. Jaen Saad abordando temas que concernem à atuação do Psicanalista na Saúde Pública e as soluções possíveis para alguns impasses dessa realidade.

 

acesse apresentação de parte dos trabalhos: Artigo Psique

 

adquira a revista (edição 96):  http://www.escala.com.br/Revista-Psique-Ciencia-e-Vida-Ed-96/p

 

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ENCONTRO NACIONAL "PSICANÁLISE, AUTISMO E SAÚDE PÚBLICA" MPASP

Publicado em 17/03/2014 às 20h12

É momento de nos unirmos para discutir mais um desafio para as políticas públicas de saúde mental em nosso país: o direito dos sujeitos e suas famílias de escolherem como irão tratar de seu sofrimento.

O Grupo de Atenção ao Sujeito divulga e convida a todos para essa discussão, que contará com a participação de nosso membro, o Psicanalista FabioLSaad,  na mesa: Interdisciplina, Saúde e educação.

 

Nos encontraremos lá!

 

 

ENCONTRO NACIONAL - Programação Completa

“PSICANÁLISE, AUTISMO E SAÚDE PÚBLICA”           

21 E 22 DE MARÇO DE 2014 - PROGRAMAÇÃO DA II JORNADA MPASP:

Local: Instituto Sedes Sapientiae

Endereço: Rua Ministro Godoy, 1484 . Bairro Perdizes, São Paulo

Convocatória: o que a clínica com autismo ensinou àqueles que trabalham na abordagem psicanalítica? Comemorando um ano de sua criação o MPASP compreende que compartilhar essas experiências e fazê-las valer na polis é crucial nesse momento em que estão ocorrendo em nosso país importantes decisões nas políticas públicas de tratamento das pessoas com autismo.

SEXTA-FEIRA, 21 DE MARÇO de 2014 - PROGRAMAÇÃO ABERTA A TODOS OS INTERESSADOS

12:15 h inscrições no local  - R$30,00 público em geral; - R$20,00 estudantes e trabalhadores da rede.

-participantes MPASP: valor incluso na contribuição do 1ro trimestre de 2014 de R$90, 00.

13: 00 h a 15:00 h – Auditório - Abertura com Grupo Gestor

Mesa 1 – Políticas públicas e ética da psicanálise - Coordenação: Ilana Katz/SP - Trabalhos:

- Leitura Comparativa dos documentos do Ministério da Saúde: convergências e divergências - GT1- Gabriela Araujo, Luana Amancio e Cássia Pereira/SP

- Detecção precoce de sofrimento: experiência de gestão na rede pública “Mãe Paranaense” - Silvia Karla/PR

- Autismo e segregação - Luciano Elia/RJ

- Risco e Limites do diagnóstico psiquiátrico na infância – Ana Elizabeth Cavalcanti e Ana Maria Rocha/PE

15:15 h a 17:15 h Mesas simultâneas (verificar sala no local)

Mesa 2:  Vozes dos pais - Coordenação: Tânia Rezende/SP - Trabalhos:

- Intervenções na família do bebê com sinais de risco em saúde mental - Silvana Silveira/ SP

- Intervenções no bebê com sinais de risco em saúde mental via familiares - Vera Zimmerman/SP

- Escuta grupal de pais de crianças com problemas de desenvolvimento – Cristina Keiko de Merletti /SP

- Vozes dos pais: depoimentos de pais de crianças autistas em tratamento – GT9 Tânia Rezende, Adela S. Gueller, Julieta Jerusalinsky/SP

Mesa 3: Interdisciplina, Saúde e educação – Coordenação: Juliana Mori/SP  - Trabalhos:

- A educação nas políticas públicas – Juliana Mori/SP

- Sobre a inclusão escolar de crianças com autismo – Carolina Neuman, Marcos Vascolcelos, Maria Carolina Silva, Paula Albano, Priscila Venosa, Sabrina Veloso/SP

- Articulações possíveis com a educação - FabioLSaad/SP

- Análise das políticas públicas Brasileiras para o Autismo, entre a atenção psicossocial e a reabilitação – Bruno Oliveira/SP

Mesa 4: Do autismo à invenção – Coordenação: Maria Lúcia G. Amorim /SP – Trabalhos:

- Intervenção Precoce e seus efeitos - Maria Prisce/ RJ

- De uma nota só à melodia: considerações sobre a clínica psicanalítica da síndrome de Asperger - Marly Terra Verdi/SP

- O grupo de educação terapêutica: uma metodologia clínico-institucional de tratamento psicanalítico – Maria Eugênia Pesaro, Cristina Keiko de Merletti, Carolina Cardoso Tiussi, Camila Saboia, Loyce Eiko Fukuda/SP

- “Um caso à parte” - escutar o irredutível - Ana Martha Maia/RJ

Mesa 5:  O corpo e a voz: construções teóricas a partir de experiências na rede -  Coordenação: Denise Cardoso Cardellini/SP – Trabalhos:

- O corpo e a criança autista - Rosângela de F. Correia/SP

- Primórdios da constituição psíquica – um trabalho de intervenção psicanalítica na primeira infância - Jonathan Ribeiro e Stephania Batista Geraldini/SP

- A voz no autismo - Matheus Kunst/SP

- O recurso ao duplo na construção de um corpo - Fabio Malcher/ RJ

Mesa 6: Detecção precoce e autismo no tratamento de abordagem psicanalítica – coordenação: Maribel Melo/PR

- Detecção precoce de sofrimento psíquico: experiência de intervenção clínica na rede pública “Mãe Paranaense” – Maribel Melo/PR

- A procura de uma intenção comunicativa na ecolalia – Mônica Dib/SP

- Aventuras psicanalíticas com crianças autistas e seus pais - Daniele Wanderley/BA

- Autismos: uma abordagem psicanalítica – por que sim – porque não? - Sônia Motta/RJ

17:30 h a 19:30 h  - Auditório:

Mesa 7: A clínica psicanalítica, seus efeitos e sua transmissão Coordenação: Heloisa Prado R. S. Telles/SP – Trabalhos:

- Desenvolvimentos simbólicos: amplificando cenas de trabalho psicanalítico no campo do autismo- Mariângela Mendes de Almeida/SP

- A clínica com pequenas crianças exiladas da condição de falantes por meio dos jogos constituintes do sujeito - Julieta Jerusalinsky/SP

- Metodologia psicanalítica no tratamentos do autismo - Paula Pimenta/MG

- Do autista ao artista: um percurso possível em psicanálise - Claudia Mascarenhas/BA

19:30h a 20:00 h - café e livros

20:00 h a 22:00 h – Auditório:

 Exibição do filme e debate: “Autismo: alguns se curam, outros não se curam” com Alfredo Jerusalinsky

SÁBADO, 22 DE MARÇO DE 2014 – PROGRAMAÇÃO APENAS PARA PARTICIPANTES DO MPASP

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Encontro

Publicado em 21/04/2013 às 20h10

O GAS apoia esta iniciativa! Participar de um encontro desta importância nos torna ativos na construção de Políticas Públicas focadas no Sujeito que precisa ser Senhor de seu destino e que precisa participar de seu tratamento como autor de suas escolhas, sem que seja atravessado por convocações de outras tantas ordens.

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Estar na Clínica, estar sozinho? Perspectivas de Rede, construindo caminhos.

Publicado por FabioLSaad em 21/11/2012 às 21h53

Incríveis 12 meses se passaram. Muito aprendizado, muito estudo, muito atendimento. Chegou a hora da interlocução, momento privilegiado da transmissão e da troca. Em nossa Conversação 2012 abordaremos a importância do psicanalista compor Rede, dialogar com outros campos do saber, se fazer entender e transitar para além do consultório. Discutiremos os atravessamentos e impasses deste tema, se o esforço se faz inócuo ou é possível estar na Rede sem que estejamos sozinhos... será que é possível? 

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De Pai para filho

Publicado por FabioLSaad em 17/11/2012 às 20h15

Do encontro, a promessa de amor, das juras eternas aos compromissos e conflitos, do inesperado aos desencontros, dos desamores e as dores ao re-encontro. Este filme biográfico mostra a importância do retorno ao Pai, à importância do nome próprio que inscreve e dirige nossas vidas.  O retorno às origens foi o que marcou o sucesso de Gonzaga, quando ele assume suas raízes seu sucesso acontece. Este caminho também foi feito por seu filho Gonzaguinha, visto que carrega o nome próprio do pai e todos os impasses de uma relação marcada por desencontros, frustrações e sofrimentos. Mas o nome estava lá, estampado em seu documento, relembrado a cada música que tocava nas rádios, marcado a cada notícia que aparecia nos jornais. Gonzaguinha tentava se distanciar de suas origens, mas como um tesouro arqueológico colecionava as noticias do pai em uma lata de metal.  De pai pra filho... em... a canção ecoava em meio a multidões e em meio a solidões. O declínio do pai ocorre e a lata pôde ser aberta. De pai pra filho sim. Nesta história extraordinária, emocionante e incomum, mas não tanto... O filho também pôde retornar ao pai, e que retorno lindo. Puderam finalmente cantar para uma multidão juntos... Pai e filho...

 

 

Tudo isso em uma só história, tudo isso em um só filme, a vida de Gonzaga e Gonzaguinha. Para mim... absolutamente tocante, emocionante e fundamental. Poderia dizer “este filme eu já vi...” não estaria mentindo, mas a beleza desta história está no desfecho, singular... está na palavra, está no nome próprio: Luiz Gonzaga (Jr).

  

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Risada pouca é bobagem

Publicado por Grupo em 17/09/2012 às 07h35

O efeito cômico de charges como essas faz pensar sobre o benefício que pode ter uma boa risada. Como numa fração de segundos, nos sentimos mais “leves” e relaxados quando rimos de uma situação que se não nos fosse apresentada pela via do bom humor, muito provavelmente causaria mal estar ou, no mínimo, não teria graça nenhuma.

E disso bem sabem os humoristas, cartunistas e os bons comediantes com sua genial habilidade de contemplar as contradições humanas de maneira a provocar riso ao invés de choro sem, contudo, menosprezar aquilo que se pretende comunicar.

Através do bom humor e da comédia um novo olhar a respeito daquilo que seria fonte de sofrimento conduz a outro universo de significados. Isso traz a possibilidade de simbolizarmos a situação que era ruim de outra maneira, o que gerava desprazer acaba perdendo o sentido.

Rir alivia, faz descarregar tensões e dá condições de entrarmos em contato com situações difíceis e pesarosas, porém, de ânimo renovado. Então, imaginem o valor que pode ter quando conseguimos rir de nós mesmos, de nossa própria condição humana. Isto é, quando conseguimos encarar o que no dia a dia com muita frequência aborrece, causa conflito e angustia, sem, contudo, perder a piada!

Sugestão de leitura:

Seria trágico... Se não fosse cômico. Humor e Psicanálise. Org: Abrão Slavutzky & Daniel Kupermann. Ed. Civilização Brasileira, RJ. 2005.

                Os chistes e Sua Relação com o Inconsciente (1905). Freud,S. ED. Imago. 

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VIVEMOS EM UMA ÉPOCA DE TEMPOS VORAZES?

Publicado por Júlia Loureiro em 24/04/2012 às 21h06

Hunger Games, ou Jogos Vorazes na tradução em português, é um título que por si só chama a atenção. Além disso, um dos primeiros comentários que ouvi a respeito do filme atiçou minha curiosidade, afinal, dizia que se tratava de uma espécie de “Big Brother” cujos participantes eram crianças e jovens e o vencedor seria aquele que sobrevivesse, pois os jogadores, as crianças, precisariam matar umas às outras de verdade...! Aquilo me soou bem estranho, então, passei a ficar atenta às críticas e publicações sobre o filme até que resolvi assisti-lo.

            De fato, trata-se de uma história de ficção na qual após um período de intensas guerras e destruição em massa apenas uma cidade se sobressaiu passando a exercer domínio sobre outros doze distritos. Esta cidade, Panem, era a capital, lugar em que viviam os ricos e abastados, detentores dos poucos recursos que haviam restado após o caos e os doze distritos ficaram na extrema miséria, subjugados à capital em um sistema praticamente de escravidão.

 Como se isso não bastasse, anualmente, os doze distritos eram obrigados a participar dos tais Jogos Vorazes, oferecendo um casal de crianças ou de jovens para serem os participantes. Ofertar crianças e jovens eram tributos anuais obrigatórios devidos à capital em troca de subsistência. Dessa forma, vinte e quatro jovens ou crianças eram ano a ano “sorteados” e oferecidos para se digladiarem em um ambiente tecnologicamente controlado pelos produtores do “reality show”, o qual, obviamente era transmitido ao vivo, para deleite dos moradores de Panem.

Pois bem, é disto que se trata o enredo e posso dizer que é um daqueles filmes que prendem a atenção. Inclusive, ao assisti-lo (o cinema estava lotado) observei uma reação, a meu ver, rara do público dos dias de hoje: silêncio! Nenhum celular tocando, ninguém enviando mensagens de texto durante a exibição, ninguém comentando nada durante o filme... Apenas risadas esparsas e nervosas em alguns momentos.

Além disso, penso que esta temática da realização de “reality shows” nos quais as pessoas precisam matar para sobreviver, ou para vencer é atual. Assisti a dois filmes anteriores a este, “Gamer” e “A corrida mortal”, nos quais prisioneiros condenados a morte é que eram os jogadores. Contudo, em jogos vorazes foi inusitado para mim o fato de crianças serem colocadas nessa situação. Inclusive, confesso que algumas cenas me geraram certo mal estar.

Não quero dizer com isso que o fato de adultos (mesmo sendo prisioneiros condenados) serem colocados nesse tipo de disputa é menos cruel, é defensável, afinal estamos falando de seres humanos e, obviamente, uma sociedade que barbariza seus cidadãos só pode não estar bem. No entanto, penso que Jogos Vorazes faz pensar no que estamos fazendo com nossas crianças. 

Fiquei intrigada: o que esse filme quer dizer? O que ele representa da sociedade em que vivemos? O que está sendo alegoricamente encenado ali? Um “reality show” um programa de “entretenimento”, que gera ibope e gera todo o entorno com o qual infelizmente estamos até familiarizados: patrocinadores, apresentadores famosos, lucro, fotos de beldades nuas em revistas masculinas, enfim, o “bom e velho pão e circo”, como na época dos gladiadores romanos, uma conhecida forma de controle do governo sobre o povo. Só que com crianças? Com jovens que precisam matar ou morrer para deleite de uma minoria endinheirada e revolta de uma maioria submetida a tal atrocidade?

Podemos até argumentar: ah, mas que bobagem, é só mais um filme de ficção! Contudo, é justamente neste ponto que eu questiono: será que é tão ficção assim? Será que é outra roupagem para um fantasioso futuro apocalíptico? Ou será que de alguma maneira é o que já estamos fazendo com nossas crianças e nosso futuro? E digo “nós” porque estou pensando em relação às sociedades em geral.

Em termos globais, sabemos e testemunhamos através da mídia que há crianças lutando em exércitos, armadas, em meio a guerras civis. Crianças às quais é incutido o ódio e o sentimento de vingança desde o dia em que vêm ao mundo.

Ou por outra, se voltarmos os olhos para as crianças subnutridas da África, isso não é uma luta pela vida? Não é a lei do mais forte? E quanto às crianças do tráfico de drogas nas favelas do Rio de Janeiro? E as crianças da Cracolândia aqui em São Paulo? E a prostituição infantil? São inúmeros os exemplos.

Que perspectivas essas crianças têm? São tão diferentes assim das crianças dos Jogos Vorazes? É matar ou morrer, é crescer para ser “sorteada” e ir para a guerra, ou ir para as ruas, ou fazer parte do tráfico. E digo mais, que perspectiva uma sociedade que faz isso com suas crianças têm? Alguém se deleita com isso?

Sendo assim, vejo que são muitos os olhares que podem ser lançados sobre esse filme, muitos aspectos são úteis para a reflexão e pensando bem o que está ali retratado talvez não seja assim tão impossível de acontecer, certamente não da mesma maneira, mas, a alegoria que está ali representada não necessita de muito esforço para ser desvendada, afinal, trata-se de uma realidade que não está assim tão longe dos nossos olhos.

E vale lembrar, estes filmes e livros estão sendo feitos para jovens e crianças. Inclusive, dia desses, ao entrar em uma livraria notei uma jovem que devia ter entre doze, treze anos de idade lendo o livro que deu origem ao filme.  Interessante notar quão entretida a garota estava, parecia nem piscar, completamente absorta pela história e ela permaneceu ali bastante tempo, fui embora e reparei que ela ainda estava lá, no mesmo lugar.

Isso me fez pensar: o que será que esses jovens sentem quando assistem ou leem esta história? Será que se identificam? Projetam-se nas situações vividas pelos personagens? Porque, em termos de sucesso e aderência do público infanto-juvenil já está superando a saga “Crepúsculo”, outro romance de ficção que foi “febre” entre os mais jovens.

Enfim, fazendo uma analogia ao título do filme, fica aqui uma primeira conclusão de que talvez estejamos vivendo em uma época de tempos vorazes sem nos dar conta disso em muitos momentos. Penso que um filme como esse pode ser útil para chamar a atenção e a partir daí promover reflexões acerca do que estamos fazendo. Do que partilhamos? O que esse nosso mundo global e consumista ao extremo promove nas sociedades, em nós, em nossas crianças e jovens e, consequentemente, no futuro? O prognóstico não parece ser dos mais otimistas.

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? Jogos Vorazes é o título do primeiro filme de uma trilogia adaptada para o cinema e que estreou aqui no Brasil em Março deste ano. A trilogia, “The Hunger Games”, baseia-se nos romances homônimos de uma escritora infanto-juvenil norte-americana, Suzanne Collins. Seus livros “Hunger Games”, “Catching Fire” (Em Chamas) e “Mockingjay” (A Esperança) transformaram-se em um sucesso de vendas internacionais e têm sido elogiados pela crítica mundial. 

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